terça-feira, 22 de abril de 2008

Vertigem


Ontem, sem me dar conta, caminhava em direção à morte.
Sua mão firmemente estendida, vacilante, segurei.
Pus um dos pés para além de sua porta, mas afinal, a ela não abraçei.
Como feitiço, usas-te do torpor do qual estava impregnado, para sua passagem deixar pouco ou quase nenhum vestígio.
Maldita! Por um instante quase a desejei.
Depois de tanto me atentar, me atiçar, me chamar, se declarar, suplicar, julgou-me.
E se reservou ao desprezo.
Não foi possível desta vez consumarmos nosso ato - seguem os flertes...
Hoje, caminho na paralela, seguindo jornada no sentido oposto, um reencontro.
Caminhando em busca da vida naquelas vidas que hei de saudar.
Os que deixaram de ser amigos ao se tornarem irmãos, num belo e misterioso ritual, às mãos de poucos homens.
Amanhã, incerto, cruzarei pela transversal.
A volta ao ponto de partida, onde o renascer pode ser eterno, numa viagem rumo a um destino de luz e calor.

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