terça-feira, 6 de outubro de 2009

De tanto não-dizer

Vou escrever os próximos parágrafos
para cuspir meus fonemas, verbetes,
como resto de comida, que fica na boca
presa nas frestas por entre os dentes

E também, porque a língua repousa
depois de mastigadas as idéias;
insaciado o espírito ruminante,
a palavra (en)cantada, adormece

Já em períodos de livre transmutação
de matéria fresca, raiz, nascente,
suco do pensar incorrigível, brota
em permanente decomposição de si

Sem meta, vinda de nenhum arco,
percorre, tempestade elétrica,
a surdez e a mudez meditativa
de um caótico ponto no espaço

.

Um comentário:

Paula Zilá disse...

Que grandioso isso tudo!
E o caótico ponto no espaço é o que nos da espaço pra nossas transmutações!
Que nos acostumemos com o caos, pois ele nada tem de desintegrante, isso foi coisa da moral burguesa.

ma ra vi lho so!